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COVID-19

Infectologista de Concórdia alerta para perigos do relaxamento de medidas contra a covid

Concórdia e HSF vêm registrando diminuição nos casos da doença e internações.

07/10/2020 11h00
Por: Diego Salmon Franke
Fonte: Rádio Rural
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O uso de máscaras em ambientes públicos, onde há muita circulação de pessoas, é indispensável, conforme as autoridades de saúde.
O uso de máscaras em ambientes públicos, onde há muita circulação de pessoas, é indispensável, conforme as autoridades de saúde.

Concórdia viu, em setembro, os números diários do coronavírus caírem consideravelmente. Isso pode ser observado nos boletins diários divulgados pela prefeitura, mas também foi comprovado por levantamento realizado pela reportagem da emissora, que apontou que o mês passado teve menos da metade dos casos da covid-19 do que em agosto.

Apesar dessa melhora no quadro de novos pacientes com a doença, é preciso seguir com todos os cuidados e protocolos necessários que vêm sendo informados desde o início da pandemia para evitar que a situação reverta e o município volte a registrar um crescimento frequente nos casos da covid. Este é o alerta da médica infectologista do Hospital São Francisco, Clarissa Guedes.

“Essa queda era esperada, mas a gente acreditou que fosse chegar mais cedo. Acreditava que com três ou quatro meses teria um quadro de redução, mas levou seis meses. Hoje estamos completando seis meses de covid em Concórdia, quase 400 pacientes que passaram pela UTI. Provavelmente, isso é esperado nas pandemia, esses vírus passam, infectam um grupo grande, até que atinjam o pico, e depois ocorre a queda”, comenta.

O uso de máscaras em ambientes públicos, onde há muita circulação de pessoas, é indispensável, conforme as autoridades de saúde. Continuar mantendo o distanciamento social e evitar eventos em locais apertados, além da higienização com álcool em gel e lavar as mãos com água e sabão com frequência, seguem sendo os cuidados básicos, destaca Clarissa.

"Certamente. Porque o vírus ainda circula. A gente não pode se enganar que a covid acabou, que não vamos ter mais casos. Embora, os números tenham diminuído, temos os grupos de riscos. Esses pacientes são mais suscetíveis. Embora, provavelmente tenhamos atingido a imunidade de rebanho, enquanto não tivermos a vacina, não vamos zerar o número de casos, porque o vírus continua circulando. Então, o cuidado principalmente com a máscara é fundamental, a higiene com álcool, evitar aglomerados. Ontem visitei uma paciente, e fiquei assustada. Eram cerca de oito pessoas lá sentada. Temos que proteger essas pessoas”.

“Agora que provavelmente existe uma boa parte da população que já passou e tem imunidade, o que se deve fazer para proteger o grupo de risco. Fim de semana as pessoas pensam em se reunir. Mas não pode, porque vai colocar em risco esse grupo, essa pessoa pode adoecer gravemente”, completou.

Conforme o levantamento realizado pela reportagem da emissora, em setembro foram registrados, em Concórdia, 357 casos da doença, menos da metade do que foi registrado em agosto, que foi o segundo mês com mais positivados. Setembro é o terceiro com menos casos desde o início da pandemia. Abril é ainda o que tem menos registros de pacientes com a doença, 104 casos, seguido de junho, o segundo mês com menos doentes, com 297. Maio é, até o momento, o que teve mais casos, com 849 pacientes positivados.

O Hospital São Francisco também vem passando por um bom momento desde setembro. Com algumas ressalvas, na maior parte dos dias a unidade teve baixo número de pacientes internados. No mês passado, chegou a ter apenas uma pessoa na ala da covid. Nesta semana, por exemplo, o Hospital informou ter apenas três internações.

“O Hospital São Francisco fez um trabalho formidável em seis meses, que foi o internamento precoce. Muitos pacientes, que não tinham sintomas graves, mas que eram tomografados e tinham comprometimento de pulmão, essas pessoas internavam na enfermaria. Não precisavam, mas esse cuidado ajudou a evitar o pior. Foram quase cinco mil tomografias. E nenhum hospital da região tem tanta experiência em covid. A gente observou que esse diagnóstico precoce e internações evitou muitas mortes”, comemora.

Sobre vacinas, a infectologista é otimista. Um calendário com grupo prioritário deve ser definido. “Certamente, a vacina vem até o fim do ano, ou em janeiro, e os grupos a serem vacinados são justamente as pessoas que foram vacinadas na pandemia de 2009, são as pessoas que adoecem mais, que evoluem de maneira desfosforável. São pessoas mais idosas, paciente obesos, com diabetes… pacientes que entram em contato com o vírus, certamente podem evoluir para um quadro grave”.