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Covid-19

Quase metade das mortes por covid em Concórdia está concentrada nos últimos dois meses

Médico do HSF alerta para alta infecção de idosos e pede atenção aos mais jovens.

30/12/2020 10h33
Por: Diego Salmon Franke
Fonte: Rádio Rural
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Ainda conforme o levantamento, o paciente mais jovem vítima da doença é de 34 anos, ocorrido em 29 de maio.
Ainda conforme o levantamento, o paciente mais jovem vítima da doença é de 34 anos, ocorrido em 29 de maio.

A taxa de mortalidade em decorrência do coronavírus aumentou nos últimos meses em Concórdia na chamada segunda onda da doença, que começou em novembro no município. E a faixa etária mais suscetível à covid-19 se elevou e está entre os mais idosos na comparação com o pico da pandemia na primeira onda. E isso se explica pela maior exposição ao vírus e a menos cuidados.

Desde abril até esta terça, dia 28, Concórdia teve 43 mortes oficiais de acordo com a vigilância epidemiológica. Conforme levantamento feito pela reportagem da emissora, 45% destes óbitos está concentrado em apenas dois meses – novembro e dezembro. Ou seja, até ontem, terça, eram 19 mortes somente nas últimas nove semanas – uma média de duas mortes por semana –, contra 24 espalhadas nos outros sete meses de pandemia.

Conforme o levantamento, dezembro é o mês com mais mortes desde o início da pandemia, com dez óbitos. Depois, aparece novembro, com nove. Até então, maio era o campeão, com sete vítimas fatais. As faixas etárias entre 70 e 79 anos e 80 e 89 anos são as que mais têm vítimas, são 11 óbitos em cada. Entre pessoas acima de 60 anos, são 35 vítimas, contra oito mortes abaixo dessa idade.

Isso também que dizer que a segunda onda da covid-19 está mais letal para a população mais idosa e com comorbidades, conforme explica o coordenador da UTI covid do Hospital São Francisco, Fernando Guedes. “Temos observado nos últimos dias que a internação tem abrangido uma faixa etária mais elevada. Temos 16 pacientes (na UTI), e deles, apenas três têm idade menor do que 70 anos, e eles têm comorbidades. Então é um fato que tem nos preocupado bastante. É uma situação que faz com que exista a possibilidade de aumento na mortalidade”.

Guedes pede à população mais conscientização, pois tudo indica que os jovens estão mais expostos e levando o vírus aos idosos, que se mantêm em casa. “Principalmente do público mais jovem, para tomar as medidas protetivas, e evitar o máximo o contato e aglomeração com pacientes idosos. Porque eles estão sendo as maiores vítimas. Não só idosos, mas quem tem comorbidades, hipertensão, diabetes, obesidades, cirrose hepática. Então, a gente gostaria de chamar a atenção diante dessa realidade. A mortalidade aumentou”.

Ainda conforme o levantamento, o paciente mais jovem vítima da doença é de 34 anos, ocorrido em 29 de maio. Já a vítima mais velha tinha 95 anos e ocorreu em 27 de julho. Esses números ainda podem sofrer alteração, aumentando até o fim deste mês.

Faixa etária das mortes:

30 a 39 anos: um óbito

40 a 49 anos: três óbitos

50 a 59 anos: quatro óbitos

60 a 69 anos: dez óbitos

70 a 79 anos: 11 óbitos

80 a 89 anos: 11 óbitos

90+: três óbitos