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COVID-19

Médica do Hospital São Francisco de Concórdia relata preocupação com o aumento de casos da Covid-19

Os profissionais da Saúde estão extremamente cansados”, disse Clarissa Guedes

19/02/2021 15h40
Por: Diego Salmon Franke
Fonte: Rádio Aliança
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A enfermaria e as UTIs destinadas ao atendimento de pacientes com Covid-19, estão lotadas
A enfermaria e as UTIs destinadas ao atendimento de pacientes com Covid-19, estão lotadas

médica infectologista Clarissa Guedes, descreveu, em entrevista ao Jornal Primeira Hora da Aliança FM, o cenário do Hospital São Francisco de Concórdia em relação ao atendimento aos pacientes infectados pela Covid-19. Segundo ela, o quadro é muito preocupante em função do número de leitos ocupados e do “esgotamento” dos profissionais da saúde.

 

Nos últimos dias vários municípios da Amauc e de outras regiões têm registrado aumento no número de casos confirmados da doença. Decretos estão sendo publicados por Prefeituras com maior rigidez nas medidas de restrição e algumas cidades estão cancelando as aulas presenciais. Mesmo assim, não há mais leitos disponíveis no Hospital São Francisco, que é referência para a região. “Chegamos à lotação máxima na enfermaria e na UTI Covid-19, é uma situação muito difícil. Não é só a falta de leitos e de espaço, também há o esgotamento físico e mental dos trabalhadores da saúde. A gente não está encontrando profissionais para repor, para contratar. O hospital abre vagas, mas não há candidatos, não aparece gente para o trabalho e isso me preocupa muito. Não é só a cama, monitor, respirador, precisamos de material humano”, enfatizou Clarissa.

 

A médica também destacou que os pacientes com Covid-19 exigem cuidados diferentes. “São graves, instáveis, exigem cuidados delicados e os profissionais estão extremamente cansados, a situação é crítica”, lamentou. “Na primeira onda da Covid-19 os pacientes internavam com 30% de comprometimento do pulmão, isso com 10, 11 dias de sintomas. Agora com uma semana de sintomas, há pacientes chegando com 50% de comprometimento e necessitam de internação mais prolongada, de 14 dias ou mais”, detalhou.

 

Clarissa Guedes, que está na linha de frente de enfrentamento à Covid-19 desde o início da pandemia, ressaltou a falta de responsabilidade de algumas pessoas. “Noticiário mostram as praias lotadas, pessoas em férias fazendo festas, aglomerando, sem máscaras, sem os cuidados necessários e o resultado está aqui, na enfermaria e nos leitos de UTI”, registrou.

 

Deslocamento de pacientes:

A médica infectologista do Hospital São Francisco adiantou que se o número de pacientes confirmados seguir aumentando no ritmo atual, a transferência para outros hospitais será inevitável. “Infelizmente é possível que nos próximos dias tenhamos pacientes aguardando no Pronto-Socorro, necessitando de internação. Teremos que buscar outros centros e hospitais de retaguarda”, registrou Clarissa.