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Cultura

"Cantor de Ipumirim entra na brincadeira com Chitãozinho."

Foi através de uma rede social, que Nédio teve a oportunidade de gravar uma música com o integrante da dupla.

03/03/2021 22h56Atualizado há 1 mês
Por: Diego Salmon Franke
Fonte: Juliane Rell/Ipumirim Notícias/ O Jornal
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Da influência musical, Nédio carrega desde criança a admiração pelos músicos de bandas de kerb.
Da influência musical, Nédio carrega desde criança a admiração pelos músicos de bandas de kerb.

 

Nédio é artista musical por paixão e influência familiar. Foi músico e cantor de baile por cerca de uma década e nos últimos anos se apresenta em festivais, cantando Chitãozinho & Xororó.

O constante avanço tecnológico e as redes sociais têm nos proporcionado realizações que eram inimagináveis há 20 anos atrás. Em todos os meios, são constantes inovações que nos aproximam e proporcionam experiências marcantes.

Foi através de uma rede social, que Nédio teve a oportunidade de gravar uma música com o integrante da dupla que é referência pra ele no mundo sertanejo.

O artista cresceu com a influência da sonoridade. Na família, os avós maternos já tinham relação com a música.

Gosto que foi passando aos pais, que por muitos anos foram coralistas e aos tios e primos que também se tornaram amantes da música. O avô materno gostava muito de tocar gaita de boca e seu aprendizado foi autodidata.

Outra influência muito grande trazida pelo avô eram os bailes.

O salão do seu  Bertholdo Helbing era conhecido em toda a região, famoso pela estrutura e pelas grandes festas de kerb que realizou por muitas décadas.

Nédio acompanhou parte dessa história. Ele e os primos sentavam em frente ao palco fascinados, assistindo a banda tocar.

No domingo, antes da segunda apresentação, os meninos aproveitam que os músicos estavam descansando e se aventuram a tocar os instrumentos. “Ver a banda era maravilhoso pra nós. Os músicos vão saber disso agora, mas durante o dia a gente entrava escondido no salão e ia para o palco mexer nos instrumentos.

Isso pra mim foi um incentivo que aflorou mais tarde, pelo fato de morar no interior e as condições limitadas, na época, não proporcionavam uma possibilidade maior de conhecimento musical”, conta Nédio.

Mais tarde, já na Escola Agrotécnica Federal de Concórdia, Nédio conheceu colegas instrumentistas. Fez amizade com eles e levou de casa um violão que era da mãe, com algumas dicas, passou a aprimorar o uso do instrumento.

Naquele tempo, em que a internet ainda não era uma realidade para a região, a alternativa de aprendizagem eram as revistinhas de música onde tinha as cifras. “Eu ia até o centro de Concórdia onde tinha uma banca pra comprar.

A cifra é a letra da música com os acordes. No final da letra tinha o desenho de cada acorde, como a respectiva posição dos dedos.

Com essas revistinhas e a sonoridade presente, consegui cantar no tom. E a influência dos colegas facilitou o aprendizado.” 

 Logo, ingressou na banda de Rock da escola, estilo que nos anos 90 era o Pop do momento. Se apresentavam para os colegas e ali surgiu a oportunidade de se aventurar para as bandas de baile.

No início, Nédio precisou aprimorar bastante e foi através da sua persistência, que assim como o avô, aprendeu sozinho grande parte do conhecimento musical.

Passou cerca de 10 anos tocando baile em várias bandas, como guitarrista e instrumentista de sopro. Iniciou com o rock, passou para grupos gauchescos e bandinhas, como Gera Som, Estilo Gaúcho, Tchê Moçada e Banda Nativa, e por fim está no sertanejo.

DILEMA

Seguir com a música ou a carreira profissional ?

Nesses anos de estrada com as bandas, Nédio precisou escolher entre a paixão pela música e a carreira profissional. “Ali eu vivi um dilema: viver do que gosto e ter dificuldade de me sustentar ou colocar em prática o que aprendi na escola agrotécnica (atual IFC) e seguir a profissão, da qual eu também gostava, para depois ver o que aconteceria com a música?”.

Como a arte era pouco valorizada na região, Nédio optou pela carreira de formação e se aprimorou nela fazendo duas graduações (Agroecologia e Agronomia), especialização e Mestrado, e hoje atua como extensionista rural na Epagri de Ipumirim.

Anos mais tarde voltou a se aventurar na música, agora participando de festivais.

Hora sozinho, outras vezes com a irmã, onde obteve diversas classificações e premiações ao longo dos anos.

A participação nos concursos de música proporcionou a Nédio conhecer outros cantores, entre eles Marlon Weimer, com quem mais tarde passou a formar a dupla Philype & Fabian. Se apresentaram em inúmeros festivais, cantaram em barzinhos e gravaram o single “De Última Hora”, de Léo Ferraz, em 2019.

 

OPORTUNIDADE

Os festivais e a internet como opção de continuidade.

A gravação veio por meio de um amigo, o produtor concordiense e guitarrista Odair da Silva, do Blue Note Studio de São Miguel D’Oeste, que Nédio conheceu no ano 2000. “Naquele ano, comprei dele a minha primeira guitarra, toda desmontada, por R$ 50,00.

Quase 20 anos depois, nos encontramos pela rede social e ele nos convidou para gravar uma música. Pra mim foi uma grande satisfação e também uma lembrança, pois sabia que logo teríamos que parar com a dupla em razão do trabalho profissional do Marlon.

Só tenho a agradecer ao Fabian por ter me autorizado a continuar com a nossa página, onde posso dividir com as pessoas meus trabalhos musicais.

É muito bacana ver que as pessoas acompanham, comentam e apóiam”, conclui Nédio, que já tem 15 composições registradas. A mais recente, gravada com a filha Yasmin, traz como tema a pandemia: “Confinados” está disponível no YouTube.

 

INFLUÊNCIA ARTÍSTICA

Os músicos que foram inspiração e a exigência pela letra musical

 

Da influência musical, Nédio carrega desde criança a admiração pelos músicos de bandas de kerb. Paulo Lersch e os irmãos Hedio e Helio Meine, músicos locais, que além de Nédio, despertaram em muitas pessoas o gosto pela música.

No sopro, Martin Sontag foi a influência e o professor, ainda na escola agrotécnica.

Durante o período em que foi integrante dos grupos musicais, Nédio dividiu o palco com bandas consagradas: Banda Passarella, JM, Cosmo Express, Momentos, Os Três Xirús, entre outros artistas.

Já na fase de festivais, sua grande paixão foi o sertanejo cantado por Chitãozinho e Xororó, estilo que traz até hoje em suas apresentações. “Não tenho preconceito com estilo, mas sou extremamente chato com as letras. Cada estilo tem seu valor e riqueza cultural. Pra mim, a música é um instrumento de transformação do mundo, por isso não pode ser banalizada.”

 

NOVOS CAMINHOS

Divulgação do vídeo já está rendendo novas oportunidades 

 

Foi entre as postagens de trabalho que Nédio encontrou uma divulgação do cantor Chitãozinho. Ele apareceu cantando a segunda voz da música e convidava outras pessoas que gostam de cantar, para fazer a primeira voz. Nédio baixou o vídeo, fez a gravação da primeira voz e editou junto com o artista. “Mais uma possibilidade que a tecnologia nos proporciona.

Ter a oportunidade de gravar com a minha referência no mundo sertanejo, mesmo de forma virtual e sem interação direta, foi muito divertido”.

Essa gravação feita na brincadeira já está rendendo novos trabalhos.

Alguns compositores já entraram em contato e novas possibilidades estão surgindo.

Para acompanhar o trabalho basta seguir @realphilype no Facebook e Instagram e Philype no YouTube e nas plataformas digitais de áudio.