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Covid-19

Após 10 dias de internação e 60% dos pulmões comprometidos, primeira-dama de Irani fala sobre recuperação

Nelci Canci está há dez dias em casa, mas ainda passa por dificuldades para respirar, se movimentar e tem dores frequentes

30/03/2021 14h06Atualizado há 2 semanas
Por: Diego Salmon Franke
Fonte: Oeste Mais
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Nelci Canci ficou no hospital por dez dias (Fotos: Arquivo pessoal)
Nelci Canci ficou no hospital por dez dias (Fotos: Arquivo pessoal)

Lutar pela vida. Foi isso o que a primeira-dama de Irani, Nelci Canci, de 46 anos, precisou fazer depois de ser diagnosticada com a Covid-19 e ser internada sem poder respirar, no Hospital São Francisco de Concórdia.

As dores de cabeça frequentes e fortes preocuparam Nelci depois que seu esposo, o prefeito de Irani, Vanderlei Canci, testou positivo para o novo coronavírus, há um mês.

A primeira-dama realizou o teste da Covid-19 após a confirmação de que o marido estava infectado, mas o exame dela deu negativo no primeiro momento.

Ela contou ao Oeste Mais que se afastou do esposo e permaneceu na casa de um dos filhos, que também reside em Irani, por três dias.

Dois dias após a estadia, no dia 3 de março, passou a ter febre de madrugada, acompanhada da dor de cabeça que já estava tendo há alguns dias. Os sintomas da infecção já eram notáveis.

“Eu não conseguia andar direito. Novamente fui fazer o teste da Covid e positivei e voltei para casa. Na segunda-feira fui fazer tomografia e meu pulmão estava 30% comprometido”, relata.

Nelci precisou ser levada ao posto de saúde da cidade para receber atendimento. Com apoio dos médicos e da equipe de saúde, recebeu uma prescrição médica para iniciar o tratamento em casa.

À base de remédios fortes, a iraniense já não sentia mais as dores de cabeça, mas passou a sentir dores fortes pelo corpo e muita fraqueza. “Sete dias após a minha positivação, à noite eu sentia um cansaço extremo. Meu marido foi ver minha saturação e estava em 63. Saturação normal é acima de 90”, explica.

Mesmo em casa e medicada, os sintomas não saíam do corpo da primeira-dama. No dia 11, Nelci recebeu oxigênio e foi encaminhada com urgência para o Hospital São Francisco, em Concórdia, mas a unidade estava lotada devido ao grande número de pacientes com o mesmo problema de saúde.

Lá, sendo acompanhada pelo filho mais velho e o esposo, ela foi medicada novamente e precisou passar por uma tomografia para saber como estava o estado de saúde. A situação ficou preocupante: 90% dos pulmões estavam comprometidos.

Nelci relembra que foi coloca em maca, porque a unidade hospitalar estava lotada, depois passou a ficar ligada a aparelhos para ser monitorada pelos profissionais.

“Eu não estava mais respirando sozinha, só no oxigênio. Eu fiquei lutando pela minha vida na quinta, na sexta e no sábado. Foi difícil”.

A primeira-dama recorda da falta de sossego devido às dores e fraqueza, e também das náuseas que a impediam de se alimentar direito.

“A sensação de ter esse vírus é muito difícil mesmo, na minha vida acho que foi a pior coisa que passou pra mim”, detalha. “A sensação de estar lá dentro do hospital e saber que tu pode nunca mais ver teus filhos é angustiante, tu sai de dentro do hospital com outra cabeça, com outra forma de ver a vida”.

Nelci Canci permaneceu no hospital por dez longos dias, sendo oito sem conseguir respirar sem ajuda do oxigênio.

Ela relembra também que recebeu alta quando conseguiu respirar sozinha, pela primeira vez, desde que deu entrada no hospital da cidade vizinha. Ela ainda não estava boa o suficiente, mas conta que muitas outras pessoas, em estado mais crítico, precisavam do lugar dela para se recuperar.

“Você ver que está ali, não existe mais nada, tu só quer tentar respirar e tentar ficar viva pra poder viver e abraçar as pessoas que você ama”.

Recuperação

Nelci deixou o hospital há dez dias, mas tem sequelas da doença. O pulmão ainda permanece com 60% de comprometimento, e isso a dificulta ela a falar, caminhar e fazer aquilo que fazia antes.

Além das dores no corpo e na cabeça, que continuam sendo frequentes, a paciente também sofre com enjoos, que a fazem passar mal e não se alimentar direito.

As medicações, segundo ela, eram bem agressivas no hospital, devido à quantidade de remédios que precisava ingerir para se recuperar. Mesmo estando fora da unidade hospitalar, Nelci precisa tomar medicamentos de 4 em 4 horas, o que, de alguma forma, a deixa um pouco melhor.

Em meio a todos os acontecimentos, a primeira-dama de Irani diz que aprendeu muitas coisas importantes enquanto esteve entre a vida e a morte.

"A vida da gente é tão curta e quando você está lá, na cama de hospital, que tu não consegue se mexer, não sabe se vai sair de lá, as unicas coisas que importam é a família da gente, o amor que você deu e o amor que você recebeu e nada mais. Viver com o que é essencial na vida da gente, que é o amor, o carinho, a gratidão, e tentar dar o melhor de si pras pessoas e pra você mesmo".

Mensagem de apoio

"Gostaria que as pessoas que estão passando por isso tivessem muita esperança. Não há impossível na vida da gente, eu cheguei quase que com o meu corpo comprometido e graças a Deus eu saí dessa. Muitas vezes lá dentro do hospital eu desanimava, tinha os altos e baixos, mas sempre muitas pessoas, amigos, me dando força, e para mim crer e acreditar que tenha um Deus que possa fazer milagres na vida da gente como aconteceu comigo. Que as pessoas não percam a esperança e que tudo pode passar na vida da gente".