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Covid-19

Um ano do 1º caso da covid em Concórdia: em entrevista, 1ª paciente relembra a doença

Dra Clarissa Guedes analisa o trabalho realizado nos últimos doze meses.

12/04/2021 11h38
Por: Diego Salmon Franke
Fonte: Rádio Rural
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Alta hospitalar de Ivone Fonseca, pós-covid
Alta hospitalar de Ivone Fonseca, pós-covid

Pouco mais de um ano atrás, tudo mudou. Inicialmente, foi em dezembro de 2019 que os primeiros relatos de que um novo vírus estava se espalhando pela China. Poucos meses depois, ele chegava à Europa e, assim, foi se espalhando por todo o mundo, até no fim de fevereiro chegar ao Brasil, fazendo suas primeiras vítimas em março.

No terceiro mês do ano passado, a Organização Mundial da Saúde decretou a pandemia – que é a disseminação mundial de uma nova doença em diversos pontos do planeta. Diante do desconhecido e de vários relatos e dados concretos de casos de contaminação e de mortes, medidas restritivas passaram a ser adotadas a fim de preservar a população.

Em nível local, a prefeitura de Concórdia decretou fechamento de atividades não essenciais no dia 17 de março. A partir do dia 18, por cerca de duas semanas, as medidas foram adotadas e as ruas centrais ficaram quase vazias, bem diferente do normal. Até então, porém, o município ainda não registrava casos confirmados da doença.

O primeiro registro oficial de covid-19 em Concórdia só se daria quase um mês depois do anúncio das medidas restritivas. Foi no dia 11 de abril que a prefeitura divulgou seu boletim com o primeiro caso registrado. Desde então, o número de pacientes só aumentou, e chegou a 12 mil justamente um ano depois, em 11 de abril de 2021.

A primeira paciente registrada de forma oficial foi Ivone da Fonseca, na época com 51 anos. Ela deu entrada no Hospital São Francisco no dia 7 de abril do ano passado com sintomas semelhantes à covid-19. Mas o caso, de fato, somente foi confirmado no dia 11 de abril. Ela ficou internada até o dia 17. Mesmo com doença pré-existente – diabetes -, Ivone não precisou de intubação.

Em entrevista à nossa reportagem, ela faz um relato sobre como foi viver aquele período, os medos e as ânsias. Ivone, que já se cuidava na época e não sabe como se contaminou com o coronavírus, ainda revela que a covid-19  deixou uma sequela para ela. 

“Eu não sei onde que peguei o vírus. Fazia uns três dias que eu estava ruim, e depois fui para o pronto-socorro, fui internada porque achavam que era coronavírus, e era mesmo. Fui muito bem atendida. Quando ganhei alta, parece que as pessoas olhavam com medo. Na época, ninguém da família se contaminou. Há poucos dias, minha filha e meu genro fizeram o teste e já tinham passado. Depois, que tive alta do hospital me deu um problema do coração, é uma sequela por causa do coronavírus”.

Ivone deixa um recado para as pessoas que não levam a doença a sério e desrespeitam as medidas sanitárias. “Que se cuidem, quem não pegou, se cuidar bastante, porque não é fácil. Em gente que pega, que nem eu, graças a Deus me recuperei, mas tem gente que não consegue. Não saiam fazer festa. Essa segunda etapa não tá dando só em pessoas de idade, mas em mais novos também. A vida é uma só. Vamos deixar passar, depois vamos nos divertir de novo”.

 

Ao longo desse período, em um ano, a média foi de 33 contaminados por dia no município. Nos primeiros noves meses da pandemia em Concórdia, entre abril até dezembro, o município registrou um total de 5.814 casos de pacientes com a doença. Já nos primeiros meses de 2021, entre janeiro até este fim de semana, foram cerca de 6,1 mil, ou seja, em pouco mais de três meses foram mais casos do que em todos os nove meses do ano passado.

Covid na linha de frente

Um dos principais nomes da pandemia e atuando na linha de frente desde o início, a médica infectologista do Hospital São Francisco, Clarissa Guedes, se tornou quase um símbolo do combate à pandemia em Concórdia. Não foram poucas as entrevistas orientativas, esclarecimentos e alertas feitos por ela em toda a imprensa regional. Ela lembra das mudanças neste período.

“Nesse último ano, o que aconteceu no Hospital São Francisco foi uma verdadeira revolução. Foi uma situação que a gente nunca viveu antes. Foram cerca de 1.400 pacientes tratados em doze meses e nunca se viu uma doença que ocupasse praticamente mais que 70% dos leitos de um hospital. Nunca se viu uma patologia tão grave onde tantos pacientes graves se internassem ao mesmo tempo”.


Hoje, coordenando a enfermaria da covid-19 na unidade hospitalar, Clarissa já viu muitos pacientes passando pelo local. Entre estes, mais de 130 vítimas que não resistiram, mas, acima de tudo, mais de 1.309 vitórias. Este foi o total até a última quinta-feira, dia 09, de pacientes que venceram a covid-19 no hospital. 

“O Hospital São Francisco, neste sentido, foi fantástico. A letalidade no nosso hospital foi extremamente baixa se comparados os dados de Santa Catarina e do Brasil. O que se fez foi internar estes pacientes mesmo não apresentando sintomas importantes. Essas 1.300 altas foram vitória da instituição. Digo que às vezes meu nome acaba aparecendo mais porque sou a coordenadora da enfermaria. São médicos, enfermagem, fisioterapeutas, então são todos vitoriosos”, comemora.

E mesmo um ano depois do primeiro caso e de várias lições, fica a orientação de quem entende do assunto: é necessário, mesmo com a chegada da vacina, a manutenção dos cuidados sanitários básicos, como o uso da máscara, o álcool em gel e o distanciamento social, sem esquecer a proibição das aglomerações.