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Política

Deputado Moacir Sopelsa poderá não disputará as eleições de 2022

Deputado afirmou que pretende voltar para "casa".

08/06/2021 00h28Atualizado há 1 semana
Por: Diego Salmon Franke
Fonte: Coluna pelo Estado
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Deputado Moacir Sopelsa afirma que o momento é melhor é dar espaço para que venham outras lideranças.
Deputado Moacir Sopelsa afirma que o momento é melhor é dar espaço para que venham outras lideranças.

O deputado estadual Moacir Sopelsa (MDB) tem uma carreira política exemplar. Perto de completar 75 anos, ele já ocupou os cargos de vereador e prefeito de Concórdia e cumpre o seu sexto mandato na Assembleia Legislativa.

Em 2021, será o presidente do parlamento catarinense, no que considera o coroamento de sua trajetória. Depois, pretende, como diz, “ir para casa”, mas seguir ajudando o MDB, único partido da sua vida, de outra forma.

 Esse agropecuarista, que exerceu a vice-presidência da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e presidiu a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), vê com preocupação os problemas do setor que representa. A|lerta que o modelo precisa ser repensado e que os investimentos em infraestrutura são fundamentais para o futuro dos negócios.

 

Nessa entrevista exclusiva à coluna Pelo Estado, Moacir Sopelsa fala sobre os desafios do setor, elogia as ações do governo do Estado no enfrentamento da pandemia e da estiagem, e volta a criticar o ritmo lento da vacinação.

Confira:

 Santa Catarina enfrenta mais uma vez problemas com a estiagem. O que o senhor achou das ações de enfrentamento aos problemas apresentadas pelo governo?

 A apresentação de projetos do governo tem três pontos muito importantes. Com relação à seca foi um pleito da Bancada do Oeste, mas que se tornou um problema para o Estado todo porque não é só o Oeste que sofre com a estiagem.

O governo dá uma demonstração de atenção ao problema quando anuncia o aporte de R$ 100 milhões para programas voltados para a agricultura. Outro ponto importante foi à apresentação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que prevê o repasse de recursos para os municípios através de Fundo a Fundo, que dá mais agilidade.

Para se ter uma ideia, os primeiros recursos para a estiagem que a Assembleia Legislativa liberou no ano passado ainda não estão autorizados para os municípios, de tanta burocracia que existe.

O terceiro ponto importante são os investimentos em tecnologia e desenvolvimento que o Estado precisa. Então, cumprimento o colegiado do governo e o governador também pela iniciativa.

São projetos importantíssimos. E, o importante também é que o governo começa a compreender a importância que tem o parlamento, porque é aqui que as questões fluem e acontecem. Aproximar os poderes não tira a liberdade e o direito de cada poder. Os poderes são harmônicos, mas independentes.

 

O senhor foi relator de uma MP do governo que trata da autorização de aplicação de recursos para as UTIs. Qual a importância desse texto para os hospitais?

 Os recursos enviados aos hospitais não são suficientes. Quando se conversa com gestores de hospitais, seja privado ou beneficente, não se escuta outra coisa a não ser os prejuízos que eles têm.

Os equipamentos, os medicamentos aumentaram absurdamente. Um dirigente de um hospital me disse que quase dobrou o valor do recolhimento do lixo hospitalar.

Essa MP dá uma segurança para os hospitais de serem ressarcidos. Os hospitais se sentiam inseguros, se não viessem do governo federal não tinha segurança de que o Estado pudesse pagar. É uma medida muito importante, talvez a mais importante.

 O senhor tem sido um crítico do ritmo da vacinação. Como o senhor está vendo neste momento?

 Ainda é muito lento. Eu defendo que quando se tem uma vacina reconhecida mundialmente ou pela Anvisa ou pela Organização Mundial da Saúde (OMS) não temos que ter dúvidas em poder adquirir e fazer uso desse medicamento.

Não adianta ficar discutindo se ela vem da China ou do Japão ou dos EUA ou da Rússia.

Nós temos no Brasil muitas empresas do agronegócio que se propõem a adquirir a vacina e colocar à disposição da população. As cooperativas comprariam e usariam 50% para os seus integrados e os colaboradores e 50% ficariam para o SUS.

 Mas o senhor entende que as compras demoraram muito?

 Demorou muito. Quando se fica procurando ideologia numa situação de emergência causa esse tipo de problema. Não tem que ficar perdendo tempo com isso.

Demoramos muito e chegamos nessa situação de quase meio milhão de mortes.

 O agronegócio é, talvez, o setor mais importante de Santa Catarina. Apesar disso enfrenta muitos problemas. Qual a perspectiva para o futuro?

 O mundo todo sabe que o Brasil vai dominar a produção de alimentos e por isso sofre tantas barreiras.

As nossas propriedades têm cinco hectares, às vezes até menos, e produzem toneladas de alimentos como frango, porco, leite, etc.

Então para mantermos esses status nós temos que repensar a nossa infraestrutura. Nós não podemos continuar trazendo milho do Centro-Oeste, importando milho dos Estados Unidos para produzirmos frango.

Nós não seremos viáveis. As ferrovias seriam uma saída. Elas cresceram no Paraná e principalmente no Centro-Oeste. Hoje existem estradas de ferro que permitem que os estados do Centro-Oeste exportem pelos portos do Maranhão, por exemplo.

E nós não conseguimos fazer aqui. Essa situação precisa ser discutida. Outra questão importante é que a França aprovou os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul como zonas livres de aftosas e eles se igualaram a Santa Catarina. Ou seja, teremos mais concorrência.

 0O senhor entende então que temos um sinal de alerta aceso?

 Sim. O sinal de alerta está ligado no agronegócio e faz tempo que venho dizendo que Santa Catarina tem que se preocupar com isso.

Nosso governo tem que se preocupar com isso.

Por exemplo, o nosso governador, num gesto de quem quer ajudar, está colocando dinheiro nas rodovias federais.

Mas se nós não estamos recebendo aquilo que contribuímos com nossos impostos, vamos pegar o nosso dinheiro e aplicar em obras que são responsabilidade do governo federal?

Esses recursos poderiam ser investidos nas rodovias estaduais.

Sei que a BR-470 é muito importante para as exportações, mas é uma obra federal. E o governo federal arrecada aqui em Santa Catarina.

E não é uma questão desse governo. Os governos passados também não nos deram os recursos que precisávamos.

E olhe que os presidentes saem carregados de votos daqui. O Lula ganhou muitos votos, o Fernando Henrique também.

Nós somos muito generosos. E o governador deu uma demonstração de generosidade.

 Deputado, falando de política, como o senhor vê a questão das prévias do MDB?

 É muito bom que o partido tenha três nomes estadualizados como o senador Dário Berger; o deputado federal e presidente do partido, Celso Maldaner; e o prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli. Feliz do partido que tem esse quadro.

Por outro lado, cachorro que tem dois donos pode ficar sem comer.

Mas as prévias não podem dividir o nosso partido. Mas as prévias não devem acontecer agora em agosto, deveríamos fazer mais à frente, quando mais pessoas estivessem vacinadas.

 E qual o seu futuro político? O senhor será candidato à reeleição?

 PEu pretendo ir para casa. Eu já fui vereador, prefeito de Concórdia e estou no sexto mandato de deputado estadual.

Tenho saúde, mas chegou num momento que o melhor é dar espaço para que venham outras lideranças.

Vou ter a felicidade de no ano que vem poder dirigir a Alesc, que será um coroamento da minha carreira política.

Mas pretendo continuar ajudando o partido. Só tive o MDB como partido.