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COVID-19

"Delta deve chegar a Concórdia nas próximas semanas”, diz infectologista do Hospital São Francisco

Maioria absoluta de internados no hospital hoje é de pessoas não vacinadas.

16/08/2021 18h11Atualizado há 1 mês
Por: Diego Salmon Franke
Fonte: Rádio Rural
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De acordo com a profissional, que atua na linha de frente da pandemia da covid-19 no Hospital São Francisco desde o ano passado, ainda não há estudos conclusivos sobre as ações e efeitos desta variante, que é a mais conhecida no momento
De acordo com a profissional, que atua na linha de frente da pandemia da covid-19 no Hospital São Francisco desde o ano passado, ainda não há estudos conclusivos sobre as ações e efeitos desta variante, que é a mais conhecida no momento

Principal preocupação em todo o mundo, a nova variante do coronavírus, observada inicialmente na Índia, já chegou à região. A cepa denominada Delta já foi confirmada no Estado e, na semana passada, em Chapecó, inclusive com a chamada transmissão comunitária, quando os contaminados são infectados sem sair do município. A chegada dela a Concórdia é questão de tempo, conforme a médica infectologista Clarissa Guedes.

De acordo com a profissional, que atua na linha de frente da pandemia da covid-19 no Hospital São Francisco desde o ano passado, ainda não há estudos conclusivos sobre as ações e efeitos desta variante, que é a mais conhecida no momento e que tem mais causado alerta entre a comunidade científica e médicos em diversos países. O que se sabe é que ela é mais transmissível e pode ser mais grave em alguns casos.

“A gente sabe que uma série de variações no genoma viral acaba diferenciando os vírus que predominam hoje da cepa original. E essas diferenças são muito grandes. As mutações geralmente tornam as cepas mais transmissíveis. E outras características importantes, como risco maior de doença grave, podem ocorrer. E isso provavelmente aconteceu com a Delta. Ela foi detectada pela primeira em dezembro de 2020, na Índia. Mas pode ter surgindo em qualquer lugar e se tornou conhecia na Índia” explica. 

Nos Estados Unidos, por exemplo, a variante Delta já é a principal causa de covid-19, tanto é que o país voltou a obrigar o uso de máscara, que havia sido deixada de lado. Clarissa Guedes explica que os estudos científicos continuam sendo feitos para entender melhor esse comportamento. E como ela avança mais facilmente, com casos já confirmados em Santa Catarina, a médica acredita que em pouco tempo a delta seja identificada em Concórdia.

“O que ocorre de diferente é que ela tem maior capacidade de fugir da imunidade pela primoinfecção, de quem teve infecção de coronavírus por outra cepa, aí tem o risco de ser infectado pela Delta. A gente sabe que a Delta se replica mais facilmente e mais precocemente no organismo.

Alguns trabalhos mostram que o paciente tem a doença mais agressiva, mas isso ainda não foi provado. Ela já chegou em Santa Catarina.

Existem alguns lugares, Estados Unidos e Europa, onde é predominantemente. Ela vai se espalhar pelo Brasil todo.

E nossa esperança é que as vacinas disponíveis protejam contra a doença grave, da mesma maneira que protegem da doença grave nas variantes anteriores. E certamente a gente vai ter casos em Concórdia e na Amauc.

Por enquanto, não há caso suspeito, mas existe possibilidade nas próximas semanas”, ressalta.

Enquanto a variante não é diagnosticada em Concórdia, o que se tem observado aqui no último mês é uma queda forte nos números de novos casos e nas internações.

Responsável pela enfermaria Covid do Hospital São Francisco, Clarissa explica que essa diminuição está diretamente ligada à vacinação, sem outra explicação direta. 

Na semana passada, por exemplo, a unidade hospitalar chegou a um recorde de menor número de internados. Haviam dez pacientes na ala da covid, menor quantidade desde o início de novembro do ano passado. Hoje, a maioria absoluta de internados é de pessoas que não se vacinaram, de acordo com a médica.

“Se observou uma queda muito importante no número de internações no último mês. Na semana passada, chegamos a dez internados.

Lembrando que teve uma época, neste ano, entre março e abril, que chegamos a 140 pacientes com Covid. Então, realmente a queda é expressiva. E ela se deve claramente à vacinação.

Não existe outra explicação tão objetiva para a gente justificar a queda no número de internados. A vacinação é o que faz realmente que a infecção, mesmo nos pacientes que se vacinam, evoluam com quadro de infecção, não tenham pneumonia grave e não precisem internação.

Então, a vacina protege! E todos os tipos de vacinas disponíveis no Brasil são muito seguras e tem uma proteção muito relevante contra a doença grave”.

Mesmo diante desta melhora nos números da covid-19 em Concórdia, e diante da chegada iminente da nova variante ao município, a orientação ainda é que toda a população mantenha os cuidados básicos, orientados desde o ano passado.

Isso precisa prevalecer como hábito nas pessoas até que mais da metade da população esteja totalmente imunizada, destaca a médica. 

“O que é importante enfatizar é que usar máscara e manter o distanciamento protege contra todas as variantes.

O mesmo vale para vacinas, regras de etiqueta e higiene. Se a gente continuar com os cuidados, cada um tendo a consciência de que existe ainda o vírus circulando entre a população, principalmente entre os não vacinados, vai estar protegendo os demais.

Então, até que pelo menos 70 a 80% estejam vacinados, e isso com as duas doses, é preciso que se mantenha esses cuidados para o cuidado de todos, especialmente dos mais vulneráveis”.