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007 - Sem Tempo Para Morrer em Cartaz no Grupo Cine em Concórdia

Quase dois anos separaram a data de lançamento original, anunciada em 2019, e a estreia do filme, de fato.

06/10/2021 às 14h11 Atualizada em 06/10/2021 às 14h33
Por: Diego Salmon Franke Fonte: Adoro Cinema
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Em seu quinto filme como o clássico espião, Daniel Craig se despede em excelente forma, reunindo a inventividade e a habilidade física excepcional
Em seu quinto filme como o clássico espião, Daniel Craig se despede em excelente forma, reunindo a inventividade e a habilidade física excepcional

 

Em 007 - Sem Tempo Para Morrer, depois de sair do serviço ativo da MI6, James Bond (Daniel Craig) vive tranquilamente na Jamaica, mas como nem tudo dura pouco, a vida do espião 007 é agitada mais uma vez. Felix Leiter (Jeffrey Wright) é um velho amigo da CIA que procura o inglês para um pequeno favor de ajudá-lo em uma missão secreta. O que era pra ser apenas uma missão de resgate de um grupo de cientistas acaba sendo mais traiçoeira do que o esperado, levando o agente inglês 007 ao misterioso vilão, Safin (Rami Malek), que utiliza de novas armas de tecnologia avançada e extremamente perigosa. 

007 Sem Tempo Para Morrer tinha lista longa de missões a cumprir: oferecer, claro, uma boa história (sobretudo após a má recepção de Spectre, em 2015), dar a Daniel Craig uma última aventura digna do fim de uma era, encerrá-la de forma satisfatória e, quem sabe, começar a apontar na direção dos próximos passos de James Bond no cinema. Para isso, a franquia apostou em uma mensagem sobre legado e sobre o potencial destrutivo da humanidade, sendo nós mesmos as nossas maiores ameaças. Quase dois anos separaram a data de lançamento original, anunciada em 2019, e a estreia do filme, de fato. Surpreendentemente, Sem Tempo Para Morrer crava um paralelo poético e certeiro com o período que estamos vivendo em 2021. No início da trama, vemos James Bond vivendo um relacionamento apaixonado com Madeleine (Léa Seydoux) - após uma excelente e trágica cena de abertura centrada no passado da personagem....

007 Sem Tempo Para Morrer tinha lista longa de missões a cumprir: oferecer, claro, uma boa história (sobretudo após a má recepção de Spectre, em 2015), dar a Daniel Craig uma última aventura digna do fim de uma era, encerrá-la de forma satisfatória e, quem sabe, começar a apontar na direção dos próximos passos de James Bond no cinema. Para isso, a franquia apostou em uma mensagem sobre legado e sobre o potencial destrutivo da humanidade, sendo nós mesmos as nossas maiores ameaças.

Quase dois anos separaram a data de lançamento original, anunciada em 2019, e a estreia do filme, de fato. Surpreendentemente, Sem Tempo Para Morrer crava um paralelo poético e certeiro com o período que estamos vivendo em 2021. No início da trama, vemos James Bond vivendo um relacionamento apaixonado com Madeleine (Léa Seydoux) - após uma excelente e trágica cena de abertura centrada no passado da personagem.

Uma reviravolta, então, nos leva cinco anos à frente quando o espião está aposentado, levando uma vida discreta na Jamaica. As décadas de filmes de espionagem já nos ensinaram que nenhum agente secreto realmente se aposenta e, logo, Bond é chamado de volta ao serviço por conta de uma nova ameaça mundial que envolve uma arma biológica roubada e um cientista desaparecido.

Os Horários desse super lançamento são ás 17:00 e 20:20 durante a semana, Sábado e Domingo  16|:40 e 20:00

007 - Sem Tempo Para Morrer é a melhor atuação de Daniel Craig

Em seu quinto filme como o clássico espião, Daniel Craig se despede em excelente forma, reunindo a inventividade e a habilidade física excepcional do personagem a mais camadas que só tornam esta a representação mais tridimensional do personagem. Ao trazer justamente a passagem e o fim do tempo como temas centrais, o longa dá espaço para o ator britânico brilhar como um herói cheio de marcas de uma vida sempre levada ao limite e que é tão implacável, quanto vulnerável. Temos talvez a versão mais melancólica e humana de James Bond, que ama e sofre dolorosamente em seu final.

 

Mas, particularmente, o ponto que melhor demonstra e põe à prova a boa intimidade que Daniel Craig criou com seu protagonista é o equilíbrio afiado no tom do humor, que traz boas tiradas nas situações mais absurdas e nas interações com outros personagens - talvez uma marca da participação de Phoebe Waller-Bridge (Fleabag) no roteiro, assinado em conjunto com Scott Z. Burns (O Relatório) e com o diretor do filme, Cary Joji Fukunaga (True Detective). Após os 163 (às vezes longos) minutos de filme, é o carisma do ator que provavelmente vai deixar o público com o sentimento agridoce do encerramento de um ciclo.

Sem Tempo Para Morrer é o filme mais longo da história de James Bond e, honestamente, é um pouco difícil encontrar razões convincentes para justificar as quase três horas da produção. A quantidade e as ligações entre tantas reviravoltas seguidas dão a sensação de que o roteiro queria aproveitar tudo o que era possível para adiar o fim, e, ironicamente, sem tempo para tornar os atos mais épicos. Não significa que falhe em entregar momentos de tirar o fôlego, ação e suspense genuínos, mas Operação Skyfall, por exemplo, trabalha de forma mais minuciosa os labirintos e as teias de traições, planos secretos, motivações escondidas, entre outros fatores.

Novos e velhos amigos (e inimigos)

O filme faz uma conexão maior do que a habitual ao “universo cinematográfico” do James Bond de Daniel Craig e traz elementos importantes de 007 Contra Spectre: não é necessário ter assistido ao filme anterior para entender este, mas ter em mentes os principais acontecimentos do longa de 2015 ajuda, sim. Blofeld (Christoph Waltz), Felix Leiter (Jeffrey Wright) estão de volta junto com Madeleine, cujo romance com Bond é um pouco difícil de aceitar, especialmente por ter vindo depois do furacão Eva Green.

 

Lashana Lynch (Capitã Marvel) interpreta uma das novas personagens, Nomi, agente que recebe o codinome 007 depois da aposentadoria de James, o que gera uma estranheza entre os dois logo de cara. Infelizmente, ela não há tanto espaço para uma dose maior de interação entre os dois 007, o que certamente seria positiva à história, já que, com o pouco que tiveram, a dupla mostrou uma química convincente.

A discussão sobre quem será o próximo James Bond ainda é um assunto com muito chão pela frente, mas é inevitável refletir sobre a possibilidade de uma vida mais longa a alguns dos personagens coadjuvantes. Sem spoilers, vale ficar de olho no que o futuro da franquia pode reservar a Ana de Armas, que teve agora uma participação breve, mas marcante.

 

Rami Malek (Bohemian Rhapsody) é o antagonista da vez e segue à risca a cartilha cartunesca do “vilão de James Bond”, um homem desajustado e com um desejo vingança baseado no passado de abandono, solidão e rejeição - além, claro, da personalidade caótica e megalomaníaca à lá Thanos, de Vingadores: Guerra Infinita. Sendo o inimigo número 1 no filme, seria interessante se pudéssemos conhecer mais detalhes sobre o que levou o personagem até ali, para além das frases malignas que ele solta de vez em quando. 

 

Uma boa despedida para a era Cassino Royale

 

O diretor Cary Joji Fukunaga executou bem uma tarefa difícil: homenagear a história de James Bond no cinema sem pesar a mão. Há, por exemplo, a lembrança a “We Have All The Time In The World”, música de 007 - A Serviço Secreto de Sua Majestade, que combina perfeitamente com a proposta trazida pelo cineasta.

 

“Engane-me uma vez, engane-me duas vezes. Você é a morte ou o paraíso?”, canta Billie Eilish na música de abertura, que prenuncia o clima melancólico inerente a todo final de ciclo. 007 - Sem Tempo Para Morrer é uma história sobre as marcas que o tempo deixa. À beira do fim é sempre inevitável olhar para trás e, de repente, tudo ganha mais clareza: o que é realmente importante e o que foi só o excesso. Daniel Craig ganhou uma despedida satisfatória e, como ator, eleva a exigência para o futuro do personagem. 

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